Site invadido: o que fazer nas primeiras horas e como evitar a próxima

Site invadido pede uma ordem: isolar o site, trocar todas as senhas, guardar evidências, achar por onde o invasor entrou, limpar a partir de um backup confiável ou dos arquivos oficiais e só então pedir revisão ao Google no Search Console. Limpar sem fechar a porta de entrada faz o problema voltar.

Cadeado bege de segredo, com haste de metal cromado, de pé sobre um fundo branco liso e iluminado de lado.

Site invadido é emergência, mas pressa sem ordem aumenta o estrago. Apagar arquivos no susto destrói a pista de por onde o invasor entrou, e restaurar um backup sem trocar as senhas devolve o site a quem já tem a chave. O roteiro abaixo serve para WordPress, WooCommerce e para a maioria dos sites com painel administrativo.

Como saber se o site foi invadido?

Alguns sinais aparecem para você, outros só para o Google ou para o cliente. Desconfie quando notar um destes:

  • Aviso no navegador ou no resultado do Google dizendo que o site pode ter sido invadido ou pode prejudicar o computador.
  • Páginas que você nunca criou aparecendo na busca, muitas vezes em japonês ou sobre remédios, apostas e réplicas. Pesquise site:seudominio.com.br no Google para conferir.
  • Visitante que chega pelo Google ou pelo celular sendo mandado para outro site, enquanto você, digitando o endereço, vê tudo normal.
  • Usuários administradores novos, plugins ou arquivos que ninguém instalou.
  • Hospedagem suspendendo a conta por excesso de uso de CPU ou por envio de spam.

O relatório Problemas de segurança do Search Console é o lugar oficial para confirmar. Ele lista o que o Google encontrou em três famílias: conteúdo invadido (páginas, links ou código inseridos sem a sua permissão), malware e software indesejado, e engenharia social, como páginas que enganam o visitante para ele entregar dados.

O que fazer nas primeiras horas?

  1. Isole o site. Coloque em modo de manutenção ou peça à hospedagem para tirar do ar. O guia do Google para sites invadidos chama esse passo de quarentena.
  2. Troque todas as senhas, de um computador limpo: painel do site, hospedagem, SFTP, banco de dados, e-mail do administrador e conta do Registro.br. Ative a verificação em duas etapas onde houver.
  3. Guarde as evidências antes de limpar: uma cópia dos arquivos e do banco como estão agora, mais os logs de acesso da hospedagem.
  4. Revise os usuários e remova administradores que você não reconhece.
  5. Avalie os dados de clientes. Se dados pessoais podem ter sido expostos, a LGPD (art. 48) obriga o controlador a comunicar a ANPD e os titulares quando o incidente puder trazer risco ou dano relevante. O prazo indicado pela ANPD é de três dias úteis, pela Resolução CD/ANPD nº 15/2024, e ela aceita uma comunicação preliminar.

Quem chamar e o que pedir a cada um?

O guia do Google para sites invadidos começa por montar uma equipe de apoio, e numa pequena empresa ela costuma ter quatro pontas:

  • Hospedagem: logs de acesso dos últimos dias, uma cópia do site como está e, se possível, o isolamento da conta para a invasão não se espalhar para outros sites seus.
  • Desenvolvedor de confiança: achar a porta de entrada, limpar e atualizar. Se quem cuidava do site sumiu, este é o momento de trocar.
  • Jurídico ou contador, quando há dados de clientes envolvidos, para a comunicação exigida pela LGPD.
  • Registro.br, se o domínio passou a apontar para outro lugar: confira contatos e servidores DNS na sua conta.

Por onde o invasor costuma entrar?

Encontrar a porta de entrada é o passo que separa limpeza definitiva de faxina que dura uma semana. As portas mais comuns em sites de pequenas empresas:

  • Plugin ou tema desatualizado, abandonado pelo autor ou baixado de site pirata.
  • Senha fraca ou repetida em outros serviços, sem verificação em duas etapas.
  • Versão do PHP que já não recebe correções de segurança.
  • Acesso de ex-fornecedor ou ex-funcionário que nunca foi removido.
  • Formulário que aceita envio de arquivo sem conferir o tipo.
  • Permissões de pasta abertas demais no servidor.

Os logs de acesso e as datas de modificação dos arquivos costumam mostrar quando a invasão começou, e essa data decide qual backup ainda é confiável.

Como limpar o site sem deixar a porta aberta?

  1. Restaure um backup anterior à data da invasão ou reinstale o núcleo, o tema e os plugins a partir das fontes oficiais, em vez de tentar limpar arquivo por arquivo.
  2. Apague, e não só desative, plugins e temas que você não usa. A documentação de segurança do WordPress recomenda exatamente isso.
  3. Atualize tudo, inclusive a versão do PHP, antes de recolocar o site no ar.
  4. Procure código estranho fora dos lugares de sempre: arquivos PHP na pasta de uploads, regras novas no .htaccess, tarefas agendadas desconhecidas.
  5. Corrija a vulnerabilidade que você encontrou. Sem isso, o invasor volta pelo mesmo caminho.
  6. Com o site limpo em todas as páginas, use o botão Solicitar revisão no relatório Problemas de segurança. Explique o problema, o que foi feito e o resultado.

A análise do Google costuma levar de alguns dias a algumas semanas. Não mande um segundo pedido antes da resposta do primeiro.

Que rotina evita a próxima invasão?

A documentação oficial de hardening do WordPress resume a prevenção em hábitos simples, que cabem num plano de manutenção:

  • Núcleo, tema e plugins sempre atualizados.
  • Senhas longas e verificação em duas etapas para todo administrador.
  • Nenhum usuário chamado "admin" ou "webmaster".
  • Backups regulares, com o banco de dados, guardados em local seguro e fora do servidor do site.
  • Painel administrativo só por HTTPS e envio de arquivos por SFTP, não por FTP.
  • Edição de arquivos PHP pelo painel desativada.
  • Revisão a cada trimestre dos usuários e dos acessos de fornecedores, removendo quem não trabalha mais com você.

Para resgatar um site que já foi invadido, dá para contratar um programador WordPress da nossa equipe. E quando o site é novo, segurança com hardening e backups entra no desenvolvimento WordPress da Buzz desde o primeiro dia.

O que costumam perguntar

Páginas afetadas podem aparecer com um aviso nos resultados ou abrir uma página de alerta no navegador antes do site. O aviso sai depois que o site é limpo e a revisão pedida no Search Console é aprovada.

Só se o backup for de antes da invasão e a falha que permitiu a entrada for corrigida logo em seguida. Sem trocar senhas e atualizar o que estava vulnerável, o invasor entra de novo pelo mesmo caminho.

Se dados pessoais de clientes podem ter sido expostos e o incidente puder causar risco ou dano relevante, a LGPD exige comunicar a ANPD e os titulares. A ANPD indica prazo de três dias úteis e aceita comunicação preliminar.

A análise de segurança costuma levar de alguns dias a algumas semanas depois do pedido de revisão no relatório Problemas de segurança do Search Console.

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Roger Takemiya Especialista Digital

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