A newsletter sai, a ferramenta mostra “enviado” e as vendas não aparecem. Muitas vezes o problema vem antes do conteúdo: o e-mail nem chega à caixa de entrada. Desde 1º de fevereiro de 2024, o Gmail exige requisitos mínimos de todo remetente e regras extras de quem envia em volume.
Quase tudo se resolve uma vez, na configuração do domínio e da ferramenta de envio. Vale revisar antes das campanhas de fim de ano, quando a frequência de envios sobe.
O que são SPF, DKIM e DMARC?
SPF, DKIM e DMARC são registros no DNS do seu domínio que provam ao provedor de e-mail que a mensagem saiu mesmo da sua empresa. Cada um cuida de uma parte:
| Registro | O que faz | Onde se configura |
|---|---|---|
| SPF | Lista os servidores autorizados a enviar e-mail em nome do domínio | Registro TXT no DNS, com os servidores do e-mail corporativo e da ferramenta de envio |
| DKIM | Assina cada mensagem com uma chave, para o destinatário conferir que ela não foi alterada | Chave gerada pela ferramenta de envio e publicada no DNS |
| DMARC | Diz ao provedor o que fazer quando SPF e DKIM falham e envia relatórios para você | Registro TXT em _dmarc.seudominio.com.br |
Um erro comum: o domínio tem SPF para o e-mail corporativo, mas ninguém incluiu a ferramenta de newsletter. As mensagens de marketing saem em nome da empresa sem autorização registrada, e o provedor desconfia delas.
Como testar a autenticação em cinco minutos?
O teste mais simples da autenticação é mandar a campanha para um endereço seu no Gmail e ler o cabeçalho da mensagem. Três passos:
- Envie a campanha real, pela ferramenta de newsletter, para um endereço pessoal no Gmail e outro no e-mail corporativo.
- No Gmail, abra a mensagem, vá ao menu de três pontos e escolha “Mostrar original”. O topo da página mostra o resultado de SPF, DKIM e DMARC.
- Se algum aparecer como falha, ou não aparecer, leve o print para quem cuida do DNS e da ferramenta de envio. Repita o teste depois de cada mudança.
O que o Gmail exige de quem envia e-mail marketing?
As diretrizes do Google para remetentes valem para mensagens enviadas a contas pessoais do Gmail e se dividem em duas faixas:
- Todos os remetentes: SPF ou DKIM no domínio de envio, registros de DNS direto e reverso (PTR) válidos para os servidores, conexão TLS e taxa de spam no Postmaster Tools abaixo de 0,3%. O Google recomenda manter essa taxa abaixo de 0,1%.
- Quem envia mais de 5 mil mensagens por dia ao Gmail: além disso, DMARC publicado (a política pode ser “none”), domínio do remetente alinhado ao do SPF ou do DKIM e descadastro com um clique nas mensagens de marketing, com o link visível no corpo do e-mail.
Mesmo abaixo de 5 mil por dia, configure os três registros: custa pouco, e a própria documentação fala em SPF, DKIM e DMARC para remetentes em massa. PTR e TLS costumam ser responsabilidade da ferramenta de envio. SPF, DKIM e DMARC do seu domínio ficam com você ou com quem cuida do seu DNS.
Outro ponto da mesma regra: não use um endereço @gmail.com como remetente numa ferramenta de newsletter. O Google proíbe falsificar o cabeçalho “De:” do Gmail, e é isso que acontece quando outro servidor envia em nome desse endereço.
Como saber se o problema é a lista de contatos?
A lista de contatos é a outra causa comum de e-mail no spam. Se muita gente marca a mensagem como spam, a taxa sobe e o provedor passa a filtrar todos os seus envios, inclusive os que iam para clientes interessados. Sinais de lista ruim:
- endereços comprados, copiados de sites ou herdados de planilhas antigas sem origem conhecida;
- muitos retornos (bounces) de endereços que não existem;
- cadastros de anos atrás que nunca mais abriram nada;
- pedidos de descadastro atendidos à mão, quando alguém lembra.
A Lei Geral de Proteção de Dados também pesa aqui. Quando o envio se apoia no consentimento, a lei pede manifestação livre, informada e inequívoca, para finalidade determinada, e permite revogar a qualquer momento por procedimento gratuito e facilitado (arts. 5º, 7º e 8º da Lei 13.709/2018). Na prática: cadastro com aviso claro do que a pessoa vai receber e descadastro que funciona no primeiro clique.
Como limpar a base sem perder cliente?
Limpar a base reduz o volume, mas aumenta a parcela de quem abre e responde, que é o que os provedores observam. Um caminho em quatro passos:
- Remova os inválidos. Tudo o que voltou como endereço inexistente sai da lista.
- Separe os inativos. Quem não interage há muitos meses recebe uma última mensagem perguntando se quer continuar. Quem não responde sai.
- Ajuste a frequência. Envie menos para quem interage pouco e mantenha o ritmo para quem abre e clica.
- Cresça pela porta certa. Cadastro no site, no checkout e no balcão, sempre dizendo o que a pessoa vai receber.
O que conferir antes de cada envio?
- Remetente com o domínio da empresa.
- Link de descadastro visível e testado.
- Assunto que corresponde ao conteúdo, sem promessa que o e-mail não cumpre.
- Texto de verdade na mensagem, em vez de uma única imagem com tudo dentro.
- Links para o seu domínio com parâmetros de campanha, para medir o resultado no Google Analytics.
Para acompanhar a entrega, cadastre o domínio no Postmaster Tools do Google: é ali que aparece a taxa de spam usada nas diretrizes. Se a sua campanha de fim de ano depende de e-mail, faça essa revisão antes de o plano da Black Friday chegar à fase de comunicação.
Autenticação configurada e réguas de e-mail que conversam com a loja e com o CRM fazem parte da automação de marketing da Buzz. No diagnóstico gratuito, olhamos a entrega antes de falar de conteúdo.